Desconstruindo ideias equivocadas sobre talentos
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Já faz um bom tempo que venho pesquisando e produzindo conteúdos sobre tudo que envolve a descoberta dos talentos, criar um trabalho autêntico com propósito e o tal “viver fazendo o que ama”. Nesses últimos anos, produzi artigos, podcasts e até criei um compêndio com vários desses materiais.

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Acontece que ao longo desses anos muita coisa mudou na minha maneira de enxergar o tema – o que é um bom sinal, afinal a gente está sempre em constante processo de crescimento e aprendizado, não é mesmo? Então, resolvi criar uma série de artigos reforçando isso e trabalhando as inúmeras questões que recebo dos meus leitores, traduzindo e até modificando algumas das minhas próprias ideias acerca desse universo tão especial que diz respeito a descobrir e colocar nosso potencial no mundo. Bora acompanhar comigo?

Então, aqui vai o primeiro da série: Desconstruindo ideias equivocadas sobre talentos

1. Não se trata de descobrir “O” talento

Na verdade, temos vários talentos e várias características que compõem o nosso potencial. Ficar perseguindo um talento, como se fosse o elemento fantástico que está escondido, faz com que você ignore as ditas “pequenas descobertas” do caminho. É como se a gente estivesse com um baú cheio de tesouros e fosse jogando fora: “ah, não, isso é só um anel de esmeralda, não deve ser o que estou procurando, precisa ser algo grandioso; ah, não, isso é só uma barra de ouro, não pode ser só isso; isso é só um relógio cravejado de brilhantes, não pode ser isso que estou procurando…” E assim se segue até a gente desconsiderar cada preciosidade que estava no baú. O tesouro é tudo que está ali e até tudo que pode estar em volta.

2. A questão não é o quão phoda você é

A gente não pode confundir a busca por olhar o que temos de especial com nos acharmos especiais, no sentido de melhores do que os outros. Se entramos nesse jogo do melhor-pior, nos atracamos numa das mais antigas gangorras humanas. Uma hora estaremos em cima? Sim. Mas inevitavelmente no momento seguinte estaremos embaixo. Esse jogo egóico não tem fim. Porque entramos no jogo da comparação e perdemos de vista o essencial.

E mais: não se trata de gravitar em torno do seu umbigo. Descobrir os seus talentos não tem a ver com o que você vai conseguir do mundo, mas com o que você vai oferecer ao mundo.

3. Nem sempre o lugar do talento é o lugar dos “pulinhos”

A gente sempre vê o conceito dos talentos atrelado ao das paixões. Eu mesma já falei muito sobre a conexão entre os dois. Acontece que… nem sempre os dois andam de mãos dadas. Sim, tem coisa que a gente leva super jeito, mesmo que não seja assim aquela super paixão. Tem coisa que a gente super se interessa, mesmo que não seja o expert da parada. E tudo bem!

Ultimamente, parece quase uma obrigação trabalhar como se estivesséssemos numa fazenda mágica de unicórnios multicoloridos e saltitantes. Aí quando a vida real acontece com suas responsabilidades, burocracias, vazios, falta de chão, inconstâncias, parece que está tudo errado. “Ah, não devo ter encontrado o caminho certo ainda, porque não estou sentindo borboletas voando no estômago 24 horas por dia!”

4. Seus talentos servem para (muito) mais do que só criar um “trabalho dos sonhos”

Faz tempo que defendo que o foco é bem maior do que descobrir algo que me gere renda, apesar de ser um dos principais motivos que ainda mobiliza as pessoas nessa busca. Eu vejo a descoberta dos nossos talentos como o mergulho para descobrir nossa potencialidade. E isso inclui autoconhecimento para a vida, como um todo. Para fazer melhores escolhas, para ter relacionamentos mais inteiros e lúcidos, para entender melhor o que nos move, para estar presente e atento em cada passo enxergando coerência entre o que sinto, penso, digo, valorizo e o que estou vivendo, de fato.

5. Essa história de trabalho dos sonhos, bem…

Lá em 2014, eu até escrevi um artigo sobre as coisas que não nos contam sobre viver “fazendo aquilo que a gente ama”. Mas além do que escrevi ali, tenho me deparado ainda mais fortemente com a perspectiva de que o nosso trabalho é um serviço, ou seja, vamos servir, estamos aqui para colocar a mão na massa, e isso nem sempre vai ser lindinho, prazeroso e cheio de energia. E que ainda assim, podemos enxergar um porquê, ainda assim podemos nos conectar com uma razão e colocar nosso potencial em movimento. É bom tomar cuidado com idealizações, pois apesar do discurso parecer bacaninha, elas só nos afastam da vida autêntica e plena que queremos levar.

6. O talento não é o lugar do inédito

Não, você não é Bethoven nem Leonardo Da Vinci. Eu também não. Aliás, acho que sabemos disso já, né?

Existem zilhões de pessoas com as mesmas aptidões, vontades, paixões, talentos e habilidades que você. A reunião de tudo que faz você ser você faz com que isso seja autêntico, verdadeiro, inteiro. E não inédito, nem o suprassumo, nem a descoberta do elemento bombástico que nunca esteve na face da Terra.

Mas veja bem, o que a gente mais precisa é de gente autêntica, verdadeira, inteira e que coloque mais disso no mundo, não é? Então, pare de ficar esperando estrelinha e aplausos, e parta para o movimento, coloque sua contribuição na vida. Seja.

7. O talento “não tem que ser uma história com princípio, meio e fim”

Sim, quem viveu os anos 80 vai ter completado essa frase cantarolando mentalmente a música do Fábio Júnior. Quem não viveu ou não sacou qual é, troque “talento” por “amor” e você terá uma frase para pesquisar no Google.

A questão é a seguinte, eu preciso ser sincera com você. Apesar de eu mesma oferecer um programa e um percurso todo focado em apoiar as pessoas descobrirem os seus talentos, eu preciso dizer: o processo da descoberta não tem como tem hora marcada. Eu costumo dizer para meus clientes, que a jornada de descoberta começa mesmo quando termina o processo de coaching, quando a pessoa começa a dançar com o que aprendeu sobre si, colocar na roda, temperar, experimentar, ousar em outras nuances, tropeçar, se aventurar e ir descobrindo na vida prática mais e mais sobre si. Eu estou aqui para dar aquela mão, mas a descoberta, ah, essa é pra vida toda. Só embarca quem vê as coisas em perspectiva e quer viver o processo profundo de se descobrir e de se responsabilizar por potencializar o potencial descoberto. Trabalho arriscado, confuso e delicioso pra vida toda. ♡

 

Agora me conta: disso tudo, o que fez sentido para você?

Quero ver seu comentário aqui embaixo pra gente conversar.

 

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