Para as almas criadoras e inquietas
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No grupo secreto do Programa Gift, trocamos ideias, inspirações, as pessoas se abrem num clima de total aceitação e respeito. Tem acontecido conversas lindas por lá!

Hoje, uma das integrantes lançou uma questão para mim e para o grupo. Eu lhe disse que queria responder em forma de um texto aqui no blog, porque sei que muito mais gente está nesse mesmo barco. Ela concordou e aqui estou.

Abaixo está a pergunta e desabafo dela, nas suas próprias palavras, copiado direto lá do grupo. Coloquei aqui sem a identificar, afinal foi um desabafo num ambiente protegido e não faz sentido a expor aqui. E por outro lado, isso aconteceu com ela, mas poderia ter acontecido comigo ou com você, veja só:

 

Em primeiro lugar, como é corajoso o ato de abrir o coração e dizer: “existem coisas me incomodando aqui dentro”. Esse é o primeiro passo da jornada de se olhar, aceitar e acolher. Deixar de fingir que está tudo bem (sem, é claro, cair no extremo oposto de que nada está bem) e encarar o fato. Isso abre espaço para a autenticidade. Injustamente, ela é muito confundida com o “falo mermo” ou a “síndrome de Gabriela”, que nasceu assim, cresceu assim, vai ser sempre assim. Gosto da definição que a Brené Brown traz:

“Autenticidade é a prática diária de abandonar quem nós pensamos que devemos ser e assumir quem somos.”

É ser verdadeiramente quem se é. Sem se prender ao que deveria ser, porque esse lado negro da força sempre vai lhe puxar pra baixo dizendo que você não é o suficiente, dizendo que você tem um valor condicional: você só terá valor se for bem-sucedida dessa e tal maneira, se você se comportar de tal forma, se você se encaixar no modelo que lhe impuserem.

“Mas e se os outros acharem que não sou boa o bastante? Se eu for autêntica e não agradar?”
Bem, a autenticidade não é mesmo um caminho seguro. Fato. Mas é o único em que podemos ser. Optar pela plenitude, que é viver a realidade de que eu tenho valor agora, exatamente como eu sou e onde estou.

Partindo daí, observando o que a querida gifter (nome carinhoso que dou às participantes do Programa Gift) nos disse, ela contou um pouco do seu jeito de ser, das suas inclinações desde que era pequenininha, na época em que só tinha vontade de fazer e pronto, onde ainda não havia pressões do tipo “isso dá ou não dá futuro”, “assim você ganha dinheiro ou não”. O seu impulso, moça, era de estar em contato com o novo! Sempre lhe encantou encontrar novos destinos, ter sua mente alimentada por novas ideias a cada encontro com algo diferente, se sentir viva por estar em movimento. Essa é você, inteira e real.

E você, que está lendo aí agora? Quais eram os seus impulsos e o que lhe empolgava de verdade? Você ainda se permite estar em contato com esses combustíveis de vida?

Roman Krznaric (que a gifter cita ali em cima) é o autor de um livro que se chama “Como encontrar o trabalho de sua vida”, onde ele debate de um jeito direto e revolucionário as construções sociais em torno da educação e do trabalho. Esses sistemas limitaram nossos horizontes, dizendo que deveríamos focar todos os nossos talentos e toda a nossa energia numa só direção, desconsiderando a nossa multiplicidade de potenciais. Se Leonardo Da Vinci nascesse hoje seria considerado um gênio ou um desajustado? Ele, que expressou seus inúmeros talentos em várias direções, foi pintor, inventor, engenheiro, músico, filósofo, estudou a astronomia, o corpo humano e muito mais, provavelmente seria olhado meio de lado pelos especialistas e lhe colocariam uma série de rótulos negativos.

Nenhuma característica isolada é só negativa ou só positiva, depende de como a vivenciamos. No caso da multipotencialidade e da busca pelo novo, por exemplo, pode acontecer um efeito negativo por conta das exigências externas que introjetamos. Como somos bombardeados com a ideia de que ser assim não é bom, ficamos pulando de galho em galho, como insatisfeitos crônicos mesmo, afinal não conseguimos produzir, realizar, nem aprender, nem usufruir com prazer das criações e novidades, afinal uma voz interna fica dizendo: “você está no lugar errado, você está do jeito errado, está tudo errado”. Sobre essa vontade de sair pulando de galho em galho, até escrevi um artigo recentemente chamado “Será que é hora de mudar tudo – outra vez?”, falando que em certos momentos o que a gente precisa é respirar fundo e pensar o que quer de verdade.

Quanto de energia você ganharia se não deixasse mais a sua força escoar, por causa da tal  preocupação em ser de outro jeito que não o seu?

Passando a se conhecer em profundidade, como você funciona e aceitando-se como é, você consegue usar todo o seu potencial, de maneira plena e saudável. Reconhecer que cada um tem seu perfil. Aqui estou falando com quem tem esse perfil criador, ativo, inovador, mas existem pessoas com outra forma de ser e que são igualmente incríveis. O mais frutífero é colocar foco no seu positivo e isso traz muito mais energia para realizar, aprender e curtir a jornada de crescimento que é a vida. Tire partido de tudo que você já tem!

Agora, quero colocar você para pensar, por isso aqui vai um exercício prático para você responder:

– Observe seu jeito de ser e liste tudo que ele já lhe proporcionou de melhor: oportunidades que surgiram, aprendizados, novas amizades, sensações, situações…

– Quais novos usos você poderia fazer desse seu jeito de ser em sua vida, aceitando o seu melhor? Que novas oportunidades, novos campos, novos horizontes, você poderia abrir? Como você poderia usar melhor seus dons de maneira prática no seu cotidiano?

– Onde você poderia fazer ajustes, mas sem perder a sua essência?

– O que tem guiado as suas escolhas até aqui?

– Quais motivações você quer que guiem as suas próximas escolhas?

Se eu pudesse, daria alguns conselhos de amiga para você, de quem entende bem pelo que você está passando. Diria para aproveitar melhor a jornada e cada vitória: criadores e inquietos costumam ficar muito ansiosos pela próxima novidade e ganhariam muito mais inspiração se curtissem melhor cada passo. Dê-se tempo para estar só, para arejar a cabeça, se inspirar e tomar decisões – esse tempo é importante para você. Tenha um espaço para desaguar esse universo de energia que está todo concentrado aí dentro. E por fim, seja você! O mundo tem muito a ganhar com a sua presença. E sendo você de forma autêntica, será mais fácil encontrar a sua turma. Use o seu olhar buscador para lhe orientar – e não para desorientar. Tenha em mente a bússola dos seus valores, do que realmente importa, que vida você quer levar e que marca você pode deixar no mundo. Seja!

 

Em breve, novidades sobre o Programa Gift. 
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